O projeto Funk Da House surgiu da união de dois amigos, Leandro e Guto Netto. Os dois já eram DJs e tinham suas carreiras, Leandro do lado do funk, e Guto na house music. O projeto veio para mesclar esses dois ritmos, criando uma sonoridade própria.
Os dois cariocas, acolhidos pelo Espírito Santo há muitos anos, têm rodado o Brasil inteiro com esse projeto que, além de música, leva outras experiências ao público. CO2, balões e outros artifícios são usados durante a apresentação para envolver e divertir o público. Quase 100% dos sets são feitos com remixes próprios e músicas autorais. Eles lançaram recentemente o primeiro EP com 9 músicas inéditas que tem dado o que falar na rede! Confira nossa entrevista.
Como surgiu o projeto? Quais as maiores influências?
O projeto surgiu há alguns anos, sendo mais certo há três anos exatamente. Pelo menos ali foi o start de tudo. Eu (Leandro) já tinha algo formado em minha cabeça e deixei como carta na manga para algum momento. Na época que eu tive a ideia, o funk estava um pouco em baixa, aquele lance de entressafra, e não estava saindo nada de bom. Segurei mais um tempo e convidei o Guto para entrar comigo nessa ideia. Ficamos três meses praticamente arrumando como seria e o que faríamos .O Guto tinha acabado de voltar de Brasília para Vitória e ainda estava meio perdido. Ele tinha ficado lá uns anos sendo residente de um Club e tocando para os deputados, rs.
Temos boas influências (achamos! rs). Eu sempre escutei muito eletrônico, mas nunca larguei minhas raízes, o bom e velho funk, até porque sou carioca e não tenho como tirar isso de mim. Acho que no caso do funk temos a influência do clássico Miami e também de bons Mcs de quando comecei, Claudinho e Buchecha, Suel e Amaro, Willian e Duda e assim foi. Fora a parte dos Dj Raizes né, como Grandmaster Raphael, Sunny Pitbull e Dj Malboro. Nessa época já existia o Dennis, mas ainda estava se formando a ser o cara, lá para dois mil e alguma coisa ele já veio a ser referência. O Guto sempre teve como refêrencia Djs como Tiesto, Steve Angello e outros do alto escalão, sempre gostou e tocou muito eletrônico e nunca foi muito de se desvirtuar para outro estilo, sempre manteve o foco!
Quando começaram com as músicas autorais?
Tudo começou há quase um ano atrás, ficamos presos no estúdio por mais ou menos uns 7 meses. Começamos a convidar alguns Mcs aqui do estado, fizemos algo voltado para cá, trazendo alguns Mcs que nunca tinham visto o "outro lado da rua". Eles nunca tinham se apresentado em boates aqui de Vitória, somente em bailes de comunidade ou bailes funks, aqueles que toda patricinha quer conhecer, rs. Hoje temos um Mc que compõe nossa equipe e está em quase todos os nossos shows, Mc Arthur, velho conhecido em bailes de comunidade e que hoje é conhecido em boates aqui da capital.
Como o trabalho de vocês começou a ser reconhecido e contratado por outros estados do Brasil?
O nosso foco sempre foi fora de Vitória e não por aqui. Adoramos estar em casa, mas tivemos a preferência de fazer de fora para dentro. Rodamos bastante já para três anos de carreira e nenhum apoio por fora. Hoje somos conhecidos em capitais como Brasília, Belo Horizonte, Rio e outras. Tivemos o prazer de tocar com grande artistas e sempre fazer um bom trabalho, com profissionalismo e acho que talvez isto tenha sido um ponto crucial no reconhecimento. Como dissemos passamos por muito estados, Rio de janeiro, Brasilia, Minas gerais, São Paulo, Bahia e por aí vai.
Vocês também tem uma label, que leva outros artistas para se apresentarem na mesma festa, entre eles MCs. Explica pra gente.
Isso! Aliás, temos mais de uma label. O Funk da House vem abrindo um leque bem grande. Esta Label em especifico é a Funk da House BusTour, onde levamos não só alguns Mcs como também algum DJ convidado. Temos também a Circus onde viramos o Club em um Circo literalmente, e ele conta com o nosso DJ de warm up e a nossa residente a Senhorita Jessica Mallmann, rs.
Vocês conseguiram trazer um profissionalismo maior da cena eletrônica também para a do funk. Quais diferenças vocês percebem entre o Espírito Santo e os outros estados que vocês tocam?
Achamos que sim, hoje em dia o funk mudou bastante. Disse uma vez que "as pessoas querem no mínimo profissionalismo!" e creio que isso seja verdadeiro. Acabou aquilo de amadorismo ou tudo nas coxas. Aqui no estado, produtores, empresários da noite e até colaboradores das casas noturnas não tratavam, ou em alguns casos continuam não tratando, artistas como artistas. A culpa não vem só da parte contratante mas também da parte contratada, que por muitos digo que também não conseguem e não sabem se tratar como tal e assim acaba gerando a falta de profissionalismo de ambas as partes.
Vocês acham que ainda há muito preconceito na cena eletrônica com relação ao funk?
Sim, existe e sempre vai existir. É como o preto no branco, o branco no preto e o óleo na água! Mas felizmente portas estão se abrindo, mesmo com djs do alto escalão gravando remixes, como Hardwell e Diplo fazendo remix de "Baile de Favela" e "Tá tranquilo Tá favorável". Mas como dissemos isso tudo vai pelo local, porque já presenciamos muito "houseiro" aí se acabando quando o pancadão toca!
Com quem gostariam de trabalhar em uma colaboração?
Se for olhar pelo lado do funk, acho que o monstro Vitor Junior e já tenho um prazer enorme de ter dois caras que trabalham com a gente que são o Renatinho Dj e o Igor Viegas! Pelo lado do eletrônico acho que sem dúvida Hardwell pelo peso que ele traz consigo.
Vocês imaginam misturar outros estilos com o funk e a música eletrônica?
Já fazemos isso há algum tempo. Sempre trazemos algo diferente para os nossos sets, e o nosso final, sempre tem a nossa famosa macaqueragem!
Tem alguma novidade que podem adiantar para o Café?
Temos sim!! Esse ano ainda lançamos mais uma label nossa. E mês que vem o Funk Da House estará meio dividido e fazendo uma Tour de 14 dias pela Itália!
E pra ouvir tem o EP "Na Arte" (inteirinho!)














